- você não me é estranho. - que bom. - você vem sempre aqui? - não. nunca. - sabia que te conhecia de algum lugar.
quem somos, afinal?
[mariela fassanaro]
e eu não consigo identificar qual dos dois realmente se importa comigo, qual dos dois está aqui. e nessa matemática doida, em que eu achava que seríamos só dois, caminhando para sermos um, acabamos quatro, se é que chegamos a algum fim; meu eu radiante, meu eu sem você, você aqui, ao lado, e você lá longe, outro. achei que seríamos plural quando fôssemos canções de amor - várias delas, incontáveis -, livros de ficção (ou não, quando modelos felizes a outros casais, contando nossa história heterodoxa que vingou de um jeito lindo), filmes de que não se esquece fácil. seríamos muitos refletidos, ecos, ressonâncias.
coisa boa é voltar o canal de comunicação de uma maneira tão leve e fácil de ser compreendida. candice anda mais leve, mais animada, de bem com a vida. e até aquele leve mau-humor matinal em nada tem atrapalhado, pelo contrário, só reforça a idéia de que eu continuo eu mesma. ando feliz com os amigos, com a família, com o provável novo emprego. ando cultivando plantas e paz. fazia tempo que eu queria poder escrever algo que não tivesse peso algum, nem remorso, nem dor. acordei leve, apesar de ainda ser embaraçoso pra mim receber as tais felicitações. queria só agradecer a todos que lembraram, aos que não lembraram, e aos que torcem e que tiveram o devido cuidado comigo durante todos esses anos. queria repartir o bolo com todos vocês, meus amigos e amigas. melhor repartir essa notícia: me sinto finalmentefeliz.
sentada naquela pedra - apesar da clarabóia de troncos, galhos e folhas acima de mim - o sol penetra de um jeito estranho, coibindo a possibilidade de me iluminar toda, e mesmo assim, achando espaços e frestas por onde espelhos de luz marcam e transformam a minha pele num efeito camaleônico; há um eu querendo muito ser essa outra pessoa ali.